Powered By Blogger

terça-feira, 22 de junho de 2010

De acordo com Kurt Aland, a busca por indícios ou vestígios da experiência espiritual (ou notas pessoais sobre a reorientação teológica) de Lutero não deveriam ser buscados tanto nas preleções, que seriam trabalho acadêmico, mas em cartas e outros escritos. Aland argumenta contra a concentração excessiva da pesquisa de Lutero, na época, sobre as preleções do Lutero jovem, em detrimento de outros escritos da época, praticamente esquecidos.
Uma das razões, além da distinção entre "escritos acadêmicos" ou "trabalho científico", de um lado, e "escritos pessoais" e "escritos pastorais", apontada por Aland, está a preferência pelos escritos não polêmicos de Lutero - os quais deveriam conter o Lutero autêntico - o que esconde um preconceito, denunciado por Regin Prenter, de que Lutero, na polêmica, teria se deixado influenciar pelas questões ou temas dos adversários. A verdadeira teologia da Lutero estaria, em vista disso, encapsulada nas preleções anteriores ao debate. Tal seleção do material, com base no argumento de que no Prefácio de 1545, Lutero teria apresentado a descoberta do evangelho como descoberta exegética, com referências diretas às primeiras preleções, excluía, além das cartas, também inúmeros escritos pastorais e polêmicos, mas, principalmente, permitia aos intérpretes da teologia do Lutero jovem distinguir a "teologia reformatória" de Lutero da polêmica em torno da "penitência". A polêmica sobre indulgências e penitência seria uma consequência da nova teologia de Lutero - o que é certo, mas não o caminho pelo qual Lutero chegou à sua compreensão definitiva da justificação pela fé sem as obras - o que é equivocado. A doutrina da justificação sem as obras não pode ser reduzida à "experiência espiritual" de Lutero, nem à "exegese" ou "princípio hermenêutico", mas tem a ver com a preocupação pastoral de Lutero, na pregação do evangelho e administração dos sacramentos, em especial, na administração da palavra da absolvição - somente a correta distinção entre lei e evangelho e a correta compreensão da justiça de Deus na promessa do evangelho, de absolvição unicamente com base na graça de Deus e na obra de Cristo, e não na absolvição condicional às obras de satisfação, é que se pode compreender a reorientação teológica e a teologia reformatória de Lutero. É uma nova exegese, mas não está limitada à exegese ou à interpretação acadêmica das Escrituras. É experiência espiritual, porque responde às angústias do próprio Lutero, mas não é um tema da espiritualidade de Lutero. A reorientação teológica de Lutero, como apontaram... Wicks e Hendrix... tem a ver com a sua preocupação pastoral, com a sua visão da igreja e do ministério...